quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Lutando contra a gagueira

Meu pequeno testemunho tem por objetivo trazer esperança a todos quantos querem falar melhor, a todos quantos sonham em enfrentar um platéia, dar um palestra,ou para os que simplesmente querem perder o pavor de estar diante de pessoas. Hoje sou uma pessoa mais segura, não sofro como sofria antes ao ter que me posicionar para falar,me sinto mais seguro, articulo melhor o som das palavras, já consigo ser entendindo,sem ter que ouvir a fatídica expressão "repete o que disse", vamos aos fatos...

Até os meus 18 anos achava sofrível a pronúncia correta das palavras, pensava mil vezes antes de transmitir um recado ou mesmo expressar minha opinião a respeito de qualquer coisa.
Trabalhei como office-boy dos 14 aos 18 anos, na Prefeitura Municipal de São Vicente. Os desafios seriam grandes, pois fui trabalhar no Departamento Pessoal, onde teria que atender o público, levar informações de um setor a outro, por vezes atropelava a fala e quando alguém dizia "repete o que disse" então eu travava de vez, era pavor,nervosismo,com atropelamento de palavras,junto com gagueira, um espetáculo de vergonha.

Quando precisava dar um recado era angustiante, ia no meio do caminho cortando a fala,ou seja tentava dar uma resumida, porém na hora "h" todo o esforço parecia não ter surtido o menor efeito...e lá estava a expressão fatídica "repete o que disse"...
Tomei uma decisão, vou buscar meu lugar ao sol, neste caso o meu lugar ao sol era conseguir falar de uma forma natural e segura, sem preciar ter medo, queria que minha fala fosse compreendida, queria eliminar o vilão do meu dia-a-dia "repete o que disse".

Preciso aqui registrar que crer em Deus foi fundamental neste período, em oração pedi a Ele que me ajudasse, que destravasse minha língua. Percebi que Ele estava disposto a fazê-lo, mas que eu teria que fazer minha parte no processo de restauração e equilíbrio.

Como sou evangélico, fazia parte de um grupo de jovens bem ativos na minha igreja. Encaramos vários desafios, e um deles era o de entregar uma mensagem bíblica para a comunidade. Lembro que na primeira vez, o suor, o medo, o tremor de pernas, a vontade de sair correndo, o frio na barriga....mas com certeza o enfrentamento, o enfrentamento de mim mesmo, o enfrentamento do trauma...Foi praticamente desastroso,mas ao mesmo tempo triunfo,meu Deus!! quase não consegui falar nada, mas ao menos havia tentado...

Os desafios não pararam, fui informado que uma forma de melhorar a dicção era ler em voz alta em fente ao espelho com uma caneta na boca, fiz isso muitas, mas muitas vezes...Eu sempre dizia: meu Deus conto contigo...e Ele dizia: pode contar....
Então ele me colocava em situações onde eu precisava me posicionar para falar, e cada vez que me posicianava a melhora ocorria.

Comecei a intensificar meu treinamento em frente ao espelho, estava determinado a vencer nesta área.
Passei a ser convidado para dar palestras em congressos de jovens. Minha voz passou a ser meu principal instrumento. No ano de 1997 entrei na Empresa Piracicabana de Transportes, onde em breve estava trabalhando no setor de Atendimento ao Cliente. Fiz um curso de práticas de atendimento via telefone e em questão de meses já estava como Supervisor de Atendimento.

No ano de 2000 ingressei num Curso de Oratória pela OAB (Ordem dos Advogados de Santos), no mesmo ano fiz outro curso de Oratória pela CEIFOS...posso dizer que muita coisa melhorou, graças ao Bom Deus!

Não me considero um exímio orador, mas me considero um bom comunicador. Comunico minhas idéias, minhas reflexões, sem medo. Este ano (2008 - de maio a junho) estive no japão, dando palestras para a comunidade brasileira que vive na terra do sol nascente. Levei a eles uma mensagem de esperança, o Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo. Fiz muitos amigos, minha área de influência foi esticada, me sinto bem e seguro para falar diante de platéias, muitoembora ainda sinta o frio na barriga, todavia o fantasma do "repete o que você disse" está cada vez mais raro em minha vida..

Sou pastor evangélico, falo diante de pessoas a semana inteira e continuo olhando a forma que os apresentadores de televisão falam..as vezes tento imitá-los, pois o processo ainda não terminou..


Milton Barbosa